quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Shiuuuu.07.12

Para o A.

Isto era pra ser dito olhos nos olhos. Há já um tempo. 
Mas não me foi permitido. Tu não me permitiste.
Achei que o que nos unia, merecia mais o toque da presença.

Lamento que a minha dedicação não tenha sido sentida no teu coração.
Parece-me que o rancor ficou e te deu ardor.

"Discussões" fazem parte da diferença de dois seres. E o debate de ideias, o confronto com o "eu" do outro faz-nos conhecer quem está diante de nós. E os nós que estamos dispostos a dar. E crescer. Juntos ou não.
E, por vezes, são sinal de que se gosta. Que o outro nos importa. Pois geram combustões de sentimentos.

Zangas, divergências por escrito. Com tudo de bom e mau que isso tem. 
Várias palavras, frases que foram mal interpretadas e que mereciam explicação do seu sentido com a expressividade que só a face mostra, a entoação que só a voz traz (nem sou de elevar a voz). 

Até as minhas zangas contigo foram com o coração. 
Mas não o posso mostrar, nem agora como este está enquanto te escrevo.
E não sei o que se passa.
Nunca me aconteceu o denotar que alguém de quem gosto, não quer receber o bem que lhe posso dar.
Pressinto-o e deve ser por isso que deixo escapar uma gota pelo meu rosto. "Fere".

Não percebeste que se estivesses hospitalizado, num dia importante/mau... Eu faria para lá estar. E para te dizer com a minha presença e/ou palavras que gosto de ti.
Não percebeste que a tua terra para mim, será sempre "a" tua terra.
Um dia falei-te na paródia (como a maioria das vezes) de se eu escrevesse um livro com as tuas "pérolas"... Tu desembaraçaste-te logo de estar presente. Sabes que umas ténues lágrimas me caíram dos olhos?!
Sei que não me convidarias para os teus dias felizes, mas tu, serias meu convidado. 

Pedi desculpa e mais desculpa. Tentando-me explicar e utilizei este espaço como prova de amizade. Do meu gostar de ti. 
Fiz por as coisas não mudarem e sim, se fortalecerem. Mas tu foste inexorável comigo.

Estive aqui sempre. Soltei amarras do peito sempre pra te dar a mão. Não esqueci. E voltei sempre. 
Mas tu não soubeste cuidar. E desculpar.
Com o tempo fui vendo que não te era "precisa", querida, bem-vinda. Que não reunia virtudes pra que me quisesses por perto. 
Que o bem que te tinha feito e pudesse vir a fazer, seria sempre "assombrado" por algo que não tivesses gostado. 
Posso ter um feitio do piorio, todavia, não "cometi nenhum crime de lesa pátria". Não. Nunca.
Fui-me sentindo como que "impotente". A pessoa que pior te tinha feito (mesmo que ciente da minha insignificância para ti). Mesmo que fosse injusto e impossível. 
Fui pensando que eras a pessoa que me foi perto, a qual achava o pior de mim.

O barco da amizade também se faz com duas pessoas a remarem. Eu remei sozinha. Eu "quis" percorrer rios e mares sozinha. Talvez com o horizonte de que um dia "visses" e também quisesses remar.
Melhor... Nunca consegui um lugar na tua vida. 
Em pouco tempo senti-me "chutada pra canto". Não merecedora da tua atenção, carinho, amizade. E isso despertou em mim pensamentos que nunca me tinham pairado acerca da minha pessoa. 
Não sou menos, por dizer que chorei uma ou outra vez com as tuas palavras, ações e, principalmente, não ações. Que te escrevo com a emoção no coração e a chuva no olhar.
O cultivo da nossa amizade foi unilateral.

Sei que de quem me foi perto, foste quem menos gostou de mim. É inevitável eu não sentir que nada te fui ou sou. E não mereço. Pelo contrário. Eu sei. 
Desculpa a minha falta de modéstia, mas se chegámos aqui e laços se criaram, em muito mesmo a mim se deve; que sou de construir pontes de afeto com quem gosto e me gosta. Que sou de escrever uma história que valha a pena e perdure na memória.

Tento-te falar e só há silêncio. Ausência. Não sei o que te fiz. Ou não te fiz.
Parece que existe, relativamente a mim, uma ferida aberta que fermenta o mal e desvanece o bem. Um espinho que corta a direito cravado no teu peito. 
É impossível o "bater na tecla" de um assunto que não gostavas, a franqueza de exprimir civilizadamente o que acho (mesmo que sejam longos "testamentos") e não gostes/concordes (e pouco mais) corromper tudo o resto. 

Somos diferentes, há até palavras com significado diferente para nós.
Mas, acho que tínhamo-nos de conhecer. 
Há caraterísticas e ideias que se cruzam. Nas nossas vidas nem tanto. Há a tragédia quase similar no mesmo grau de parentesco, na minha e tua vida. 
E um dos teus apelidos é meu também. 

Nada nem ninguém me olvidará da memória esse ser com visão tão cínica da vida. Detentor de uma personalidade vincada. Politicamente incorreto. Desconcertante. De inteligência acutilante. De humor refinado. Que tu és.
Em tão poucos dias, tu na minha cabeça já representavas o Mário Viegas (pelo que de ti conheço, acho que simpatizas com o homem. Ele é talvez a pessoa de quem mais me recordo. E, literalmente falando, "cresci com medo dele" ao vê-lo na televisão).
Controverso, contestatário, provocador, opinativo/crítico sempre com a sua dose de sarcasmo. Tu és isto. Para mim. 
Em certa medida, "comparo-te" a um artista à frente do seu tempo, dos melhores de todos os tempos e que faz falta neste país tão cinzentão.

Porque ao contrário do que pensas, como que me senti "pequena" diante de ti. Das coisas que tu sabias, das tuas experiências, dos lugares onde viveste. 
Face a isto, como que entrei em "rutura" comigo, ao atribuir "muita" importância ao que dizias. Consequentemente, pensar que estava equivocada como pessoa. Indagar-me o que tu pensarias de mim. Sentir-me "presa" às tuas palavras que não me abonavam. E "presa" a mim. 

Tudo era novidade para mim. Nunca tinha conhecido ninguém desta forma; e dei com o meu subconsciente a "disparatar" e a desoprimir totalmente (ao ponto de me poder sair que tinha matado alguém sem o ter feito) para alguém como "se não fosse real". Para alguém, como se ele não contrapusesse, não julgasse.  
E saiu-me alguém bem diferente do que eu previa. E com uma personalidade à qual não estava habituada (como de não seres de iniciativa).
Acho que não foi fácil acompanhar a tua mordacidade. Toda a rapidez necessária para te falar, responder e manter a dinâmica de estar à altura. 
E aqueles adjetivos que passavas para mim (os quais gostava de ter) e eu a ver que eram teus. 

Eu não sorri contigo. Eu ri (ao ponto de chorar), soltei gargalhadas e andei aos saltos pela casa. Senti-me igual ao que sempre me tinham dito. Senti-me "eu". E com mais uns "hinos de louvor" que nunca me tinham jorrado.
Enfureci-me uma ou outra vez, mas, isso é pouco perante todo o resto.
E as tuas expressões engraçadas que concluem lições de esperteza, perspicácia e utilidade para a vida. Rio-me quando me surgem no quotidiano. Tudo fica. Sempre.
Como as nossas milhentas palavras, conversas ficam guardadas no virtual. E na minha mente. Sempre.

Tu despoletaste um lado meu pouco explorado e que eu não dominava em mim.
Por mais voltas que se deem (ou não) tens um lugar demarcado no espaço e tempo que sou eu.
Mesmo que a água tenha inundado os meus olhos por me sentir preterida, "excluída" do grupo daqueles que te mereciam e dos quais gostavas.

Nada nem ninguém, conseguirá secar este rio que corre nas minhas sinapses. Nem tu. Nunca. 
O que foi dado de bom, bonito e com a certeza de sentido, de verdadeiro está dado pra sempre. Foi meu. Pra ti.

Não me canso nem me embaraço de expressar o que sinto. Mesmo que sejam precisas milhares de palavras. Uma eternidade de tempo. Mesmo que o outro não se importa.
Nunca guardei o que penso e sinto por ti para certas ocasiões, sim, pra todos os dias, todas as horas. A alegria e a tristeza, o precisar-se, o merecer-se é todos os dias. A vida acontece todos os dias. 
Só assim vejo a amizade. A amizade sobre a forma de amor. O amor sobre a forma de amizade.
 
"Há já muito tempo que não estou contigo...
Sabes que se quiseres podes contar comigo."
Estou aqui e vou continuar.


P.S. - Dás-me um abraço?

7 comentários:

Miguel Teixeira disse...

És especial e mereces mais do que essa pessoa.

Talisco disse...

Acho um texto meio confuso. Soa-me a obsessão da tua parte para com uma pessoa que se assustou ou não sente o mesmo que tu. E desculpa, mas este texto não é só por amizade. Acho que se te sentes assim e nesse estado depressivo deves procurar ajuda e simplesmente deixar a pessoa seguir o seu caminho. A amizade também é isso... deixar livre e leve quem gostamos, mesmo que signifique o afastamento. Segue o teu caminho... Ele/ela com toda a certeza seguiu o seu. Sê feliz e deixa quem dizes prezar tanto ser feliz também, ainda que afastado de ti. :)

Anónimo disse...

Escreve muito bem.
Bonita relação.
Fico contente por ainda existirem pessoas como a autora que valem a pena.

Sara Pinto disse...

Não sei onde vê estado depressivo do autor.
Quem dera que fosse para mim.

Anónimo disse...

Ele não gosta de ti. Simples.
A ser verdade o que contas nem se importava contigo. Quem ama cuida e até na amizade.
Abriste o teu coração e ele nada... Andor!
É mais uma relação que acaba sem o outro dizer nada por cobardia.
Não te conheço mas noto inteligência emocional e acredito que já estejas noutra.

Carolina Matos disse...

Autor, boa chapada de luva branca. Dar a outra face quando nos fazem mal. Sair por cima e mostrar quem é melhor.
Gostava de ser assim. Até no fim ter amor próprio.

Maradona disse...

Muitas relações acabam por falta de interesse da outra parte.
Dá gosto ler uma mensagem assim.