quarta-feira, 15 de junho de 2016

Shiuuuu.15.11




Odeio-te! Odeio-te por teres feito com que eu tivesse que tomar a decisão mais difícil da minha vida. Traíres-me e agredires-me nem sequer se compara ao facto de pores na minhas mãos a decisão de tirar a vida a um ser inocente! Um ser sem culpa do pai ser uma pessoa monstruosa, desprezível, desequilibrada e a mãe uma idiota que se deixou levar nas suas conversas! 

Sei que foi melhor assim, que raio de vida poderia eu dar ao meu pobre feijão, solteira, sozinha, sem casa, sem condições...? Matar-me-ia a trabalhar para que nunca lhe faltasse nada, mas e amor? Quando lhe daria amor? Entre tanto trabalho para que nunca lhe faltasse nada, faltar-me-ia o tempo para lhe dar educação, afeto, valores e princípios...

Odeio-te...! Estaria prestes a completar 9 meses, sabes?! No silêncio da madrugada deito uma lágrima por não estar a segurar o meu barrigão de 9 meses... Odeio-te....! Sei que foi melhor assim, mas odeio-te... Odeio-te por teres usado a tua capa comigo e me teres metido nos teus joguinhos, odeio-te por não teres princípios nenhuns e fazeres com que eu nem sequer pudesse ponderar em deixar que fosses o pai do meu feijão... 

Odeio-te por o aniversário da minha melhor amiga estar marcado pelo sangue do meu feijão... por sempre que pensar em ter filhos achar que não vou ser capaz por me sentir culpada pelo que fiz... Odeio-te por fazeres com que assim que conheço alguém não consiga confiar... Odeio-te porque sempre que entro em intimidade com alguém não consiga desfrutar do momento pelo enorme pânico que sinto que volte a acontecer.... e odeio-me a mim por ter um sentimento tão ruim dentro de mim... 

Sabes, no fundo sou apenas uma pedra da calçada que ficou deformada com tanto pontapé que levou... Sou cheia de sentimentos e ter um sentimento destes dentro de mim, corrói-me todos os dias mais um pouco...

8 comentários:

Rita disse...

Nem sei o que comentar! Apenas e só que lamento o que estás a passar! Força*

Anónimo disse...

Lamento muito. Muita força. Se calhar é melhor pedir ajuda profissional.

Anónimo disse...

Quando amamos alguém queremos sempre acreditar que as coisas mudam e que um dia eles vão olhar para nós e vão tratar-nos melhor e nos vão amar como os amamos. A isso chama-se esperança aliada a uma expectativa que, por norma, acaba por nos decepcionar.. E é algo muito difícil de digerir porque não queremos acreditar que aquela é a realidade.. que nos apaixonamos não pela pessoa mas sim por uma ilusão. Essa relação devia ter acabado quando os abusos começaram mas agora você também já sabe e espero que não permita que aconteça novamente. Quanto à criança: não tinha de ser. Foi uma decisão sensata porque não resta vinculo nenhum com esse senhor. Pode voltar a engravidar e não tem de se sentir culpada pelo aborto que fez! Agora pode tentar encontrar alguém que realmente valha a pena e que a ame. Como nem sequer um ano passou é muito natural esse ódio todo mas está na altura de começar a deixar ir. Decisões tinham de ser tomadas e você tomou-as e, essas mesmas decisões, deram-lhe a lucidez e a força para se livrar dessa personagem. Lembre-se: a vida é para a frente :)

Anónimo disse...

É culpa dele ter-te tratado mal. Mas não fales como se só tivesses abortado por causa dele.
Ele podia não apoiar nem estar lá, mas a decisão é sempre tua.

Lendo, até parece q se ele estivesse contigo, não importando o resto, terias tido "o teu feijão". Pergunto-me se foi ele ou foste tu q o apelidaste de feijão.

Anónimo disse...

Espero que um dia consigas ultrapassar...
que um novo feijão se traga novas recordações!!!!

um grande beijinho de quem sabe o que sentes...

Vida

Anónimo disse...

Já passei por essa história. Reconheço cada palavra. E é muito triste ler cometários triste de quem não conhece, de quemodo não viveu, de quem tem unhas aguçadas para espetar.

Anónimo disse...

Lamento o que estás a passar, deve ser muito doloroso.
Eu, jamais o faria, e não o fiz. Hoje sou mãe de uma princesa de sete anos, o melhor de mim e da minha vida.
Sei que te arrependes...e entendo porque o fizeste. Mas não te tortures, aceita e segue em frente. Um dia vais ser mãe e vais ser feliz.
Um abraço
Dina

Anónimo disse...

Esta podia ser a minha história. Na verdade, esta foi a minha história. Também abortei. Também tive os mesmos medos que tu. Também pensei durante muito tempo que um dia a vida viria cobrar-me o acto que tinha cometido. Já lá vão alguns anos...
O que te posso dizer? Que toda a raiva que sentes é tua. Ele pode ter sido uma pessoa má contigo, e eu sei bem que num momento como esse, a influencia da pessoa com quem estamos é sempre preponderante. Tu também tomas-te a decisão. E agora resta-te ultrapassá-la e perdoar-te por o teres feito. Não vais ser pior nem melhor mãe por isto. Não vais ser castigada por isto. O teu castigo provavelmente será esta raiva e o medo de que isto mude algo na tua vida. Mas há-de passar. A pessoa que estava ao teu lado não importa. E um dia, quando fores capaz de abrir mão dessa raiva tudo será uma memória distante. Vai doer sempre um bocadinho mas se tu quiseres, não te vai impedir de seres feliz. Nem uma boa mãe. A mim não me impediu. Força